Obra




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Terça-feira, Novembro 29, 2005


PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES

Parou na frente da floricultura. Ficou encantada com as rosas, as margaridas, os girassóis e as outras trezentas flores que não sabia nomear. A primavera tinha chegado e ela, tão ocupada com aquele relacionamento complicado, nem notara... Imaginou onde ele estaria agora.

Decidiu que não queria mais isso. "Antes só que mal amada!", decretou antes de, sem pensar muito - já tinha gastado muito tempo esperando ele ligar -, desligar o celular, jogá-lo na bolsa e começar a escolher suas favoritas.

Formou um lindo e robusto buquê com rosas vermelhas, bem abertas, e aquelas florezinhas brancas que se coloca em volta de rosas vermelhas.

"Arruma pra presente pra mim, por favor?", pediu à senhora do caixa, enquanto escolhia um cartão adequado "Coloca uma fita bem bonita".

Achou o que procurava, um discreto e elegante, pegou uma caneta e deixou o recado: "Parabéns pela conquista! Que essa nova fase lhe traga muitas alegrias. E na hora do desânimo, força, menina, que você sabe que consegue!".

No caminho para casa, comprou um desses bolos bonitos e pequenos de padaria, para completar a celebração.

Chegando em casa, desligou também o computador, jogou a bolsa no sofá e colocou a secretária eletrônica pra atender às chamadas.

Depois de colocar as flores cuidadosamente no seu quarto, sorriu e, ligou o som. Dançou sozinha, e brindou sua vitória e comeu dois pedaços de bolo - um luxo para as adeptas do regime eterno. "You go girl...".

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PLEASE DIE, ANNA...

Que você tá fazendo aí?? Caramba, surgiu da onde? Devia ter ido embora, esse era o combinado! Te dei tempo e Lágrimas suficientes, todo mundo concordou... Velha, você não pode ficar! Na boa, não dá. e se alguém te vir por aqui?

Vai achar que fui eu que deixei.. Não, não... Melhor ir embora. de verdade.

Machuca, sabia? E outra: pra que ficar aqui? Acabou, não? Então ponto. O coração de lá já deu um jeito, pow... Deixa o meu fazer o mesmo, à minha maneira.. Vai importunar outro...Ai, meu do céu.... Esconde essas cartas! as fotos, os tapes, os flashes! Não precisa jogar fora, mas deixa arquivado em um porão qualquer, sei lá... Tranca, esconde a chave..Não tem porque deixar vir isso tudo, saco. Vai embora, pelamor! Morre, desencana de morar por aqui, se vira... Migra pro lado bom da força. Sei lá. Problema seu. Mas me deixa em paz.. Já não me consumiu o suficiente?? Não tenho condições de te sustentar. Não tenho. Vai embora!!

Sem voz, sem vez, sem viés novo de ilusão...

Disco riscado, fita emperrada, impressora sem tinta, carro morto, bilhete único vazio, sapato de sola solta, cantor rouco, pedreiro engessado, jornalista ruim.

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R.I.P. MARÍLIA

E no sepulcro em que vos enterraste, ainda está. Não adianta gritar. É sua sentença ficar morrendo ali. Foste injuriado primeiro, natural que tenhas te vingado. E saiba que foste bem sucedido. Não tentes, porém, lavar tuas mãos e eximir-te da responsabilidade.

A morte foi culpa dela, mas o enterro foi teu. Sem velório, sem funeral, mandaste-a ao crematório. E do pó que sobrou, não vês a cor. Pois tem, sim, vergonha de mostrar-te cores.

Sente vergonha de odiar tua revanche, e encaminha a si os golpes que deseja desferir a ti, e mata-se novamente cada vez que tem a vontade de ferir-te.

Faz das vossas lembranças a tal cinta de silício do Opus Dei. Sangra-lhe o coração a cada pulsar por elas, por ti. Que sangre. Merece, não? E ela, que não acredita nisso, no merecimento e na punição, sente e ressente calada os espinhos perfurando a pele. Quem liga?

Marília pagou pelo seu crime, e o preço maior é sua mancha apagada no mais curto dos tempos. Seu castigo não foi apenas a morte - que leve o seria... É o morrer. Dia a dia.

Há quem diga que renascerá. Há quem acredite.


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Segunda-feira, Novembro 14, 2005


TO HEAR YOU SAY THAT I'M YOUR FRIEND ou TUDO BEM? ou ainda NA PADOCA

- Moço, por favor, me vê uma Coca?

- Gelo e limão?

- Só gelo. E light, por favor.

__

- Então, onde eu tava?

- Falando do show do Red Hot.

- Verdade. Então, não pude ir. Fiquei com maior raiva... eu não podia ir sozinha (nem queria, na verdade) e não tinha um homem pra me acompanhar.

- É, realmente dá raiva. Que bom que as coisas mudaram.

- Como assim?

- Ah, hoje em dia pelo menos tem mais homem na sua vida. Se precisar, você arruma um pra ir com você.

- Verdade, verdade... mas acho que a melhor coisa mesmo é que aprendi a ir sozinha.

- E você pode?

- Pode como?

- Seu pai deixa?

- Ultimamente nem pergunto, se você quer saber. Acho que ele não liga, também. Tipo, se preocupa, oferece carona, pergunta como foi, mas acho que não fica chateado de eu não pedir autorização, saca?

- Hm..

- É. É bom.

- Lembro de quando você não podia viajar com a galera... rolava maior discussão, lembra?

- Lembro. Me enchiam meu saco pra eu brigar com ele, e exigir independência.

- E não tinham razão?

- Ué, não. Não precisei fazer nada pra conseguir a que tenho hoje. Quer dizer, nada especificamente. Simplesmente veio junto. Trabalho, pago minha facul, sei lá. Vou crescendo e perdendo os laços. Não preciso arrancar.

- É, faz sentido, mas sei lá...Você perdeu umas coisas legais.

- É, isso é verdade.

__

- Aqui.

- Ai, desculpa. Você pode me trazer um sem limão?

- Pode ser.

- Mal...

__

- Cara, eles nunca acertam... Não é tão complicado...

- Porque você pede desculpa pro garçom, se ele que trouxe errado?

- Hahaha... Ah, eu não quero que ele cuspa na minha Coca.

- Afe.. Hahahaha

- Aliás, fica olhando. Eu aposto que ele vai simplesmente tirar o limão e devolver o mesmo copo, em vez de trazer outro.

__

- Aqui

- Brigada.

__

- Falei...

- Hehehe...

- O pior é que não gosto de parecer fresca, mas pow.. O cara tira a rodela e o gosto fica.

- Pede outro copo, então.

- Eu não... Tenho vergonha. Não gosto de cuspe dos outros...

- Sei, sei... Hehehe

- Hahaha! Ok, depende da situação..

- Demorou pra começar, mas também, pegou gosto pela coisa.

- É verdade.. Hahaha..

- Faz quanto tempo já?

- De qual?

- De seca.

- Ah, uns... seis meses. Isso, faz seis meses amanhã.

- Hm..

- Foi da hora.

- É, você contou. Mas na época você parecia assustada, não parecia ter gostado muito.

- Ah, e fiquei mesmo... Tipo, a situação era muito complicada pra mim. E você tem que concordar que depois daquele beijo as coisas se complicaram ainda mais.

- É verdade, é verdade.

- Sabe o que me irrita? Metade da complicação era só nóia mesmo... Coisa que eu aprendi com a situação toda, mas meio tarde. Queria saber o que sei hoje naquela época.

- Ué, mas você não precisou passar por isso pra aprender?

- É, tecnicamente sim.

- Então...

- Hm...

__

- Vocês vão querer mais alguma coisa?

- Am, não sei.. Você tá com fome?

- Um pouco, eu vou querer um daqueles salgados ali.

- Queijo ou bauru?

- Bauru. Aliás, faz um bauru sanduba mesmo.

- Certo. E você, moça?

- Eu... ai, sei lá. Traz umas fritas...

- Ok.

__

- Você não tava de regime?

- Só às terças e quintas.. Hehehe..

- Hahaha.. Figura. Mas continua contando

- Contando o que?

- Que fim deu aquele cara?

- Ah, ficou com uma outra.

- Hm. Você ficou triste?

- Bastante..

- Achei que você não estivesse apaixonada.

- Acho que não estava mesmo. Mas gostava. Sei lá, fiquei meio triste, com a impressão de ter falhado.

- É, é comum sentir isso. Quanto tempo entre você e a outra?

- A partir do "aviso prévio", dois dias.

- Caraca!

- É.. punk.

- Bateu o recorde do outro. Quanto tinha sido antes?

- Cinco dias.

- Vixe...

- Hehehe... Vai ver sou rápida de esquecer.

- Ah, cala essa boca.

- Ok, não acho isso. É só uma provocação completamente inútil ao vento.

- Mas eu entendo seu ponto de vista. Foi pouco tempo mesmo, sorry..

- Thanks. But it's ok. A gente supera.

- Você superou?

- Na medida do possível. O primeiro é mais difícil.

- Quanto tempo faz que acabou?

- Quase um ano. Devem ter aí uns dez meses.

- Você ainda pensa nele?

- Opa, de vez em quando. Sabe o que irrita? Nego que fica bravo comigo por isso.

- Como assim?

- Ah, gente que vem me dar bronca, achando que eu fico me relembrando e cutucando o passado.

- Quem faz isso?

- Tanto meus amigos mais próximos quanto gente não tão perto assim.

- Tipo quem?

- Tipo uma das outras.

- Jura?

- Ah, ela é minha amiga, e numa conversa, soltou essa.

- E você?

- Fiquei mal, né. Acho que quem não viveu o que eu vivi, ou não sentiu o que eu senti, não entende o que acontece depois. Não acaba só porque cada um foi pra um lado.

- Você ainda gosta dele?

- Não é isso. Só to dizendo que não é uma coisa que se esquece assim, plagiando Kid Abelha, dando um mero tchau. A lembrança fica. E não sei se tem de ser destruída...

- Mas não te machuca?

- Sim. E?

- Se te machuca você deveria parar.

- Parar de que?

- De pensar?

- Ah, mas isso eu faço. Ou pelo menos tento. Mas tem coisas que não dá pra evitar, né? Lugares, músicas, essas coisas despertam a memória, meio sem querer...

- Hm..

- Ressaca. Às vezes dá a impressão de que não to pronta pra outra, sabia?

- Quem disse?

- Ué, ninguém. Mas sei lá.

- Sei lá o que?

- Sei lá, uai.

- Pois eu acho que tem mais é que andar pra frente..

- É, deve ser.

- Já tentou de novo?

- Já..

- E no que deu?

- Não deu. Ele tava afim de outra.

- Hm. Acontece.

- É, eu sei.

- Perspectivas?

- Tem um guri aí... mas sei lá. Nem conheço direito.

- Espero que, ficando juntos ou não, seja uma experiência mais agradável que as últimas.

- Né?

- Hmhm.

__

- Fritas?

- Aqui.

- Opa, meu bauru por favor. Valeu.

- Tem maionese? Ah, brigada.

- Passa um guardanapo?

- Tó.

- Thanks.

__

- Notícias daquela sua amiga? Faz tempo que não nos falamos..

- É, né. Fiquei triste quando ela falou que tinha desencanado de você.

- Eu vi. Mas acontece mais do que você pensa.

- Espero não ver muito.. Me acabou.

- Eu também fiquei machucado...

- Mas ela tá indo... você vê ela de vez em quando, né?

- Mais que você.

- Então porque pergunta?

- Pra saber como você está em relação a isso.

- É, eu não estou sabendo lidar direito.

- Você tem orado a respeito?

- Pouco.

- E por quê?

- Porque orar a respeito significar pensar a respeito. E toda vez que eu lembro disso, fico triste. Logo...

- Isso tem nome: fuga.

- Hm.. bom, em minha defesa, eu não me orgulho disso.

- Tenta.

- Me orgulhar? Hehehe...

- Hahaha.. besta. Não, tenta começar a orar.

- Se pá.

- Me dá um gole?

- Opa, toma.. Tá sentindo?

- O limão, né? Hahaha... Tô sim. Poutis, que cocô... Quer dizer, eu gosto de limão, mas pra você que não...

- Sabe que eu fico estupidamente curiosa?

- Diga.

- Por que que eu não suporto frutas. Tipo, vou fazer uma terapia de regressão um dia e descobrir...

- Hahaha.. você sempre fala isso.

- Ué, você não ficaria curioso?

- Sei lá.

- Pois eu fico. E um dia ainda descubro...

- Deve ser trauma.

- É. Se bem que eu fico pensando: e se é um trauma e eu bloqueei? Conscientemente. Ou melhor, por vontade própria?

- Estamos falando das frutas ainda?

- Hehehe.. sim, mas se encaixa pra todas as áreas. Eu tenho a impressão de que tenho uns traumas sexuais também.

- Uia.

- Nem sei se vale a pena cutucar.

- É, eu também não sei se vale...

- Enfim, a questão é: deve ter um porquê com as frutas.

- Hahaha...

- Fica rindo aí, vai, ô, mané...

- Parei, parei.. Hehehe..

- Bah..

- Mas ow, conta direito do show do Pearl Jam.

- Aaaaaaaaaai, te falei que eu vou?

- Hahaha.. precisava ver sua cara agora.

- Seu bobo.. se você não fosse Deus, eu te quebrava!

- Hahaha! Duvido! Qualquer criancinha te espanca..

- Nussa!! Seu folgado...

- Hehehe...

- Te amo, sabia?

- Só porque eu te amei primeiro.. Hahahah!

- Seu.. clichê!

- Haaaahahaha!


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Sexta-feira, Novembro 11, 2005


A INFLUÊNCIA DA HP NA CAPACIDADE DE SE RELACIONAR ROMANTICAMENTE DOS ENGENHEIROS E ESTUDANTES DE ENGENHARIA, BEM COMO CIÊNCIAS CONTÁBEIS, ECONOMIA E OUTROS CURSOS QUE ENVOLVAM O USO DA MÁQUINA

Projeto de pesquisa n/. 14.586.938-7B
Por: Cíntia Lucas e Michelle Baal, pela Universidade de Informações Financeiras e Monetárias de São Paulo (UNInfoMoney)em parceria com as Faculdades de Sistemas de Compilação de Dados Hitachi de Tóquio em Canela - RS (FHDS) (A paritr da tese desenvolvida em conjunto com a Universidade J. Kings)

Proposta: Estudo da influência da posse de uma HP (calculadora eletrônica da Hewlett Packard) na capacidade relacionamental de seus usuários

Tese: A maioria esmagadora dos indivíduos do sexo masculino que possui esse tipo de calculadora (partindo-se do pressuposto que saibam usá-la) apresenta uma significativa deficiência na condução de relacionamentos amorosos com pessoas do sexo oposto.

Hipótese: Pode haver uma ligação direta entre as duas coisas, uma vez que o uso de tal aparelho parece exigir certa tendência à racionalização por parte do dono o que acaba vazando para as faculdades pessoais e interferindo negativamente em seus contatos com o mundo feminino, onde, comprovadamente (Vide pesquisas anteriores) a maior parte das leis de raciocínio usualmente aplicadas na matemática e suas vertentes aritméticas não se aplicam.

Método: Pesquisa de campo com nossas melhores cientistas realizando ex realizando experimentos em terreno (locais como a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - Poli) e compilação seguida e cruzamento de dados a partir de formulários psicológicos respondidos por engenheiros e afins, voluntariamente.

Segue-se um modelo de formulário:

Levantamento de dados para o estudo A influência da HP na capacidade de se relacionar romanticamente dos engenheiros e estudantes de engenharia, bem como ciências contábeis, economia e outros cursos que envolvam o uso da máquina

Informações gerais
Nome:
Idade:
Sexo:
Opção/orientação sexual:

Formação acadêmica:
Instituição de ensino:
Curso:
Data prevista de conclusão:
Número de indivíduos do sexo masculino por m² na faculdade:
Número de indivíduos do sexo feminino por m² na faculdade:

Histórico relacionamental:
Namora ou se relaciona romanticamente com alguém atualmente?
Número de mulheres que namorou até o presente momento:
Idade em que ocorreu o primeiro beijo:
Período médio demorado entre o primeiro e o segundo beijo:
Número de amores platônicos no ensino médio:
Razão amores platônicos/ namoros sérios:

Perfil de desenvoltura relacionamental
Responda às perguntas abaixo tendo em mente uma situação de relacionamento inter-humano de cunho romântico:

a) Para você é mais fácil resolver uma equação de matemática aplicada que se envereda, eventualmente, pela quinta dimensão do que discutir a relação?
b) Você tem maior facilidade para reparar quando o visor de tela plana LCS da sua HP é riscado do que quando a sua companheira muda radicalmente o penteado?
c) Você calcula a probabilidade de sua parceira se tornar cada vez mais parecida com a mãe dela a partir de constantes físico-algarítimicas?
d) Você já entoou alguma vez, acompanhado ou não de colegas na mesma situação, o seguinte jargão: ¿Namorada pra quê? Eu tenho a minha agá-pê¿?
e) Você se sente perdido durante o período de descontrole hormonal mensal (mais conhecido como TPM) do seu par e não consegue equalizar uma maneira de agir pela falta de constância demonstrada pela outra parte?
f) Você cuida melhor da capa protetora de couro estilizado importado da sua HP do que da sua namorada?
g) Você separa mentalmente em uma planilha do Excel as preferências da companheira (cor, comida, lugares, música) e efetua as operações na hora de escolher um programa para sábado à noite?

A Baal/Lucaxx Data Research agradece a colaboração


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