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Textos, matérias, poemas, devocionais e afins.
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Sexta-feira, Dezembro 30, 2005
DA SÉRIE: DESTAQUES DO ANO
Capítulo Um: O homem por quem eu me apaixonei
O homem por quem me apaixonei por algumas semanas foi um dos ápices do meu ano, quiçá um dos ápices da minha curta vida.
Tirou-me do meu luto e pintou meu nariz. Me convidou a brincar de ser feliz. E fui. Me arrisco a dizer que fomos.
Evocou em mim meu lado mais lírico e poético. Meu lado mais belo, penso eu. Fez brotar palavras pedantemente belas, dentro de um senso de humor ímpar, onde mesóclises levavam ao delírio. Senti-me como uma criança, num parque. Balança, gira-gira, árvores para subir.
Não resistimos, nenhum dos dois, às intempéries. Ô dó. Mas o fim, a tragédia, as decepções, as feridas, essas coisas feias, deixemos de lado. Hoje experimentei lembrar das partes boas. Como me fez bem.
Tive saudades dessa alegria sincera, de pizzas às duas da manhã na rua e pães na chapa (com requeijão) na padaria. Do abraço intransigente na chuva, dos bilhetes, da máquina de escrever.
Meus sorrisos com você foram inesquecíveis. Transcendeu o romântico para imortalizar o lúdico. Você foi pra mim um Doutor da Alegria.
Muitos sorrisos pra você(s - que agora tem mais gente morando no seu mundo) em 2006.
Posted
10:31 AM
by Cín
Terça-feira, Dezembro 27, 2005
FELIZ ANO VELHO
Este ano começou com o fim. Desses fins trágicos de filme romântico policial de terror. Meu relacionamento com uma das pessoas que mais marcou minha vida acabou. De súbito e de vez. E me acabou.
Acabou também o emprego na loja. Acabaram-se os jeans, as metas de vendas e as meias-horas diárias na Saraiva.
Não bastasse, acabou minha caminhada rumo ao diploma com o JOB, minha classe da manhã na faculdade.
Comecei o ano sem namorado, sem emprego, sem dinheiro, sem amigos de faculdade.
No entanto, fins costumam acabar em começos. Como posteriormente eu ouviria de um amigo, às vezes é preciso matar algo para que nasça o novo.
A gravidez do novo chamou-se acampamento de carnaval. Três dias fora de São Paulo com amigos do coração por perto. Música, grama, comida boa, palestras interessantes, Máfia, noites praticamente bem dormidas, Bíblia. Três amigas do peito que sentiram sobrenaturalmente uma ferida a mais e se colocaram a postos.
Pois a primeira a nascer foi a InfoMoney. Emprego na área, salário bom que cobria a mensalidade da Cásper. Desafios muitos, algum medo no começo e muita perseverança. E meio-período.
Então nasceu a vida acadêmica à noite. Entrei no JOD, passei a assistir às aulas efetivamente acordada, como era meu plano. Vieram as caronas após as aulas, e a companheira jodeense de ônibus na volta pra casa.
Foi o início dos yakissobas e dos bares. Conheci pessoas novas, tive conversas inovadoras, comecei a dormir na Paulista de sexta-feira, passei madrugadas acordada na rua e em casas de colegas. Surgiu nesse interim um projeto promissor e bem humorado de namoro.
E veio o casamento. Dos outros, não meu. Tine e Mix, Paulo e Cláudia, e uns outros vários. Vieram então os filhos. Novamente, não meus. Foram, se não me falha a memória, 3 planejados, 3 surpresas e 3 que nasceram sem eu ver.
Houve mortes também. Morreram alguns que me fazem falta e outros que não. Alguns amigos ficaram doentes, a maioria por dentro. Morreu também meu rascunho de relacionamento novo. Veio a raiva e a desilusão.
Chegou meu aniversário e completei 20 anos com o coração pisado. Comemorei com amigos que queriam estar lá sem que eu insistisse e descobri que existem pessoas que me amam mesmo quando eu não me esforço nesse sentido.
Chegou o piercing no lábio e o novo corte de cabelo, que continuou preto. Comecei a sair mais e sair com caras. Alguns muito divertidos, outros nem tanto. Muitas baladas, caronas, fast-foods e risadas, e-mails, telefonemas, scraps. Farra.
A Aline foi para a Irlanda, e voltou com um porquinho simpático chamado Emmit, que me faz companhia ultimamente no lugar dela, e trouxe para mim chocolates, mini Cocas de avião, livros, um boné menor que minha cabeça e um par de meias de leprechauns - um pé verde e o outro branco.
Rolou a viagem com os brothers, o medo, a calma estranha. Descobri que estava de pé, e não de joelhos, como pensava. Mais balada, muito Los Hermanos, um pouco de piscina e sol e muito pouco de comida e cerveja. Passou em parte a raiva.
Voltaram as aulas, e o ultraje. Algumas semanas de passarem reto, mais raiva, alguns rancores. Um peito estufado, um confronto, um band-aid. Voltaram as lágrimas, e a solidão.
Surgiram os infindáveis fins-de-semana com a Mi. 5 da manhã era muito cedo para estar de volta em casa. Pelo menos sempre tínhamos companhia e caronas até as respectivas casas. Mais baladas, brigas nas baladas, pés descalços, muita maquiagem e dormidas furtivas e secretas na ex-casa da Mi.
Vieram os shows. Los, Los e Los. Conversei com Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante (nomes irônicos, aliás) num momento lúdico, me descobri mais profunda em considerações do que pensava.
(Re)Começaram os trabalhos na faculdade, a correria, as provas. Me promoveram no emprego, começou o período integral e o malabarismo com as tarefas da faculdade. Me descobri mais capaz do que pensava.
Fui assistir Pearl Jam na pista do Pacaembu sozinha. De carona, camiseta, all-star, capa de chuva, lente e delineador. Descobri a coragem que a solidão traz.
Chegou o Natal. O Rafa se mudou de volta pra casa e eu voltei pro quarto da minha irmã. A Aline, por sua vez, ajudou na mudança e pouco depois foi pros EUA, deixando o Emmit comigo. Fiquei de filha quase única em um quarto quase meu.
Veio a orquestra, fechando meu ano com chave de ouro. Transcrição de notas, leitura sofrida de partitura, muita vontade de fazer sons bonitos. Seis apresentações em três dias, olhos emocionados escondidos atrás dos violinos, sorrisos contidos pra não estragar o sopro.
Ano mágico, de muito só e pouco muito. Perspectivas boas para 2006... Digo, profissionalmente. A vida amorosa vai ter que ficar mais tempo em hold.
Posted
12:37 PM
by Cín
Terça-feira, Dezembro 20, 2005
KILLING ME SOFTLY
- Está sentindo? Isso, bem abaixo da quinta costela. Mais pra esquerda... Aí.
- Ah, ta. Dá pra sentir mesmo. Tem algum sinal externo? Deixa eu ver.
- Muito de leve. Ta vendo uns vermelhinhos aqui? Mas quase nada.
- Hm... Você trouxe o raio X?
- Ahã. Ta aqui.
- Hm...
- E aí?
- É, ta alocado mesmo.
- Como assim?
- Se alojou aí no meio. Ta vendo esses branquinhos aqui na chapa?
- Ã.
- Então, são tipo raízes...
- Poutis... Isso é sério!
- É...
- E pra quando a gente marca a cirurgia?
- Oi?
- A cirurgia. Pra arrancar fora.
- Você não pode arrancar.
- Como não??
- Ta muito encostado nos seus órgãos vitais, o risco é grande de prejudicar algum deles.
- Mas isso não pode ficar aí dentro!
- Se a irritação na pele ficar pior, você pode usar um corretivo, ou cobrir com a roupa...
- Pouco me importa a pele! Quer dizer, não seria muito agradável se ficasse assim, à vista, mas a questão é que não consigo viver com isso aí dentro..
- Entendo seu ponto de vista. Mas é uma operação impossível.
- Como assim impossível? Vou a outro médico, então.
- Pode ir, ele dirá a mesma coisa. Pra você tirar isso daí de dentro à força, só morrendo.
- Isso não pode ficar aí.
- Concordo. Vai acabar te debilitando.
- E o que eu faço??
- A única solução é dissolver o máximo possível e inutilizar o restante.
- Poutis..
- É, dá bastante trabalho... Podemos começar com uma quimio mais leve.
- Vou precisar de ajuda.
- Vamos traçar juntos um plano de ação. Vai precisar de disciplina...
- Droga...
- Tem alguém para quem você possa ligar para conversar a respeito? Com quem você possa contar? Vai precisar de apoio... Seu marido, talvez?
- Não, ele ainda não chegou.
Posted
2:40 PM
by Cín
Terça-feira, Dezembro 13, 2005
BOMBASTIK
Me dêem uma tesoura! Deixem-me picotar minhas madeixas, deixá-las agressivamente féxion, desfiadas, pretas, em pontas e movimento.
Dêem-me um microfone e uma banda muito boa, e deixem-me gritar uma música pop-rock-poser que atraia um sem número de adolescentes rebeldes sem causa.
Passem pra cá um coturno novo, uma minissaia e um cartão de crédito, que eu vou rodar a noite na balada, dançar até cair, arrasar corações, abalar as estruturas.
Dêem-me um carro e suas chaves, que hoje eu vou ganhar um racha, dar cavalinho de pau e festejar, no fim, junto com os caras gatos e esnobar, de dentro do macacão de couro, as minas que não sabem dirigir.
Me passa um taco de beisebol, um saco de pancadas e algumas garrafas, que hoje eu vou fazer o estrago. Estilhaçar e destruir, até os músculos sentirem-se satisfeitos. Liga o som, bota Rage Against pra embalar.
Me arruma uma prancha bem louca, uma carona e uma blusinha de surfista. Deixa eu peitar o mar e aprender a dominá-lo no tapa. Sentir a onda bater no rosto, cansar os braços de remar, ousar tomar caldo e levantar. Hoje a praia é minha.
Me vê uma Coca, que hoje eu to cheia de mim e vou (me) arrebentar.
Só deixa a porta aberta, que eu vou chegar tarde, mas quero dormir em casa.
Posted
4:09 PM
by Cín
Quinta-feira, Dezembro 08, 2005
ALI NAQUELA PRAIA, ALI NA AREIA
Quem diria, hein?
Que a gente ia crescer, ia tropeçar e chegar onde estamos, do jeito que chegamos?
A brisa hoje é fresca, um pouco fria. Nossos carros, com as rebinbocas das parafusetas zuadas, deixa eles ali atrás nos esperando. Vem sentar na areia comigo.
Esse momento é só de nós duas, irmã.
Deita aqui no meu colo, me conta direito essa história. Quer um pouco do meu mertiolate? Aproveita e me empresta um band-aid.
É gostoso ficar aqui, tomando uma xícara de café contigo (já que o chocolate quente parece que ficou pra trás, junto com as nossas tranças), te contando dos buracos na estrada.
Ninguém disse que era brincadeira, não?
É aqui, no entanto, de frente pra esse mar imenso, que a gente tem de lembrar de voltar para recarregar as forças. Vai, coragem, olha pra água. Permanente, né?
Tá sempre aí, o mar, que, agora que crescemos, dá pra ver que é um oceano.
Põe o pé na areia, sente os grãos. Respira um pouco antes de levantar e ir pro mergulho.
Meu sangue é o mesmo que o teu...
Te amo.
Posted
2:09 PM
by Cín
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