Obra




Quinta-feira, Janeiro 26, 2006


BACCIOS E UTAS

Tem um poema rondando a minha cabeça há dias, que se nega a se organizar. Flutuam frases soltas ("...de descansar de novo no seu peito..."), referências ("...esses olhos cansados..."), trocadilhos ("No caminho tinha uma Pedra"). Mas ainda não é o suficiente, diz-me o poema-to-be. Ele não se deixa ser escrito, alegando que ainda não está pronto para ficar pronto. Que ainda faltam palavras, frases, sentimentos para se constituir poema. De qualidade, digo. Por que uma pieguice meia boca se faz a qualquer hora. Bom, seja como for, isso não deixa de ser um rascunho do que eu estou tentado dizer: que gosto de você, do que você é, do que você é comigo. E só, porque o poema ainda não está pronto, e a antecipação é traiçoeira.


Sexta-feira, Janeiro 06, 2006


DA SÉRIE: PERSPECTIVAS PARA O NOVO ANO

Capítulo Um: O homem que se apaixonou por mim


Ele chegou de mansinho, quase não fazendo barulho, se misturou entre os transeuntes e se aproximou sem fazer alarde. Perguntou as horas, falou sobre o tempo e, no primeiro momento a sós, deu o bote.

Ele não pediu licença, nem opinião. Não obedeceu a placa vermelha, ignorou os olhos assustados e mostrou a que veio (e ah! - a que veio...). Me deu a mão e ofereceu o peito e os braços (e até uma coxa).

E foi assim, entrando e tomando conta do lugar. E eu fui ajeitando uma almofada aqui, servindo um cafezinho ali, tentando me acostumar com a presença (ainda que materialmente ausente) desse adorável estranho. E não é que ele está cuidando bem da casa?

Vou ter que aumentar a garagem. Um feliz 2006 pra nós.


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