Hoje se completam quinze anos exatos desde o dia em que eu e minha família nos mudamos para o apê onde vivemos.
Eu tinha sete anos e era Halloween; fui até à festinha que o condomínio fez para as crianças, com uma mini-vassourinha.
Lembro o quão assustadora era a visão do meu quarto no começo do dia, cheio de brinquedos e roupas encaixotados. Um desespero. Naquele dia, minha mãe disse para minha irmã e eu irmos brincar enquanto ela arrumava a casa.
Quando voltei, sabe Deus quanto tempo depois, meu novo cantinho estava impecável, com colchas verdes de verão esticadas sobre as camas e a escrivaninha toda organizada. Adorei. Foi um marco de passagem.
Nesses sessenta e cinco metros quadrados, deixei de ser criança dentro de alguns anos, meu corpo mudou, minha mente também. Nunca mais as coisas se resolveram tão facilmente quanto a bagunça do meu quarto. Por outro lado, eu aprendi a não me apavorar tanto diante das badernas que a vida me aprontou.
Agora, debutamos, os dois.
Happy anniversary.
Posted
11:49 AM
by Cíntia
PENSAMENTOS SOLTOS, TRADUZIDOS EM PALAVRAS
O amor deixa marcas.
Sejam das unhas nas costas, seja da lágrimas nos papéis.
Deviam fazer uma exposição artística sobre o tema.
Já pensou? A Bienal do Ibirapuera cheia de marcas de amor, tristes ou felizes, das mais clichês às mais inusitadas. Formariam-se filas enormes do lado de fora, a marquise cheia de pseudo-cults comentado "estou ansiosa pela obra da mãe judia que perdeu o filho num massacre neo-nazista". Poderia também haver uma seção só para a falta de amor. Como um cartão repleto de confissôes românticas sepultado em um envelope fechado, com carimbo envelhecido do correio.
A mesa vibra a cada acorde. São, na verdade, os olhos que vibram, no ritmo da emoção que os sons lhe produzem.
Sente um arrepio nascer e morrer na lateral da cintura. Ah, que diferença não fazem os bons fones... Que saudade dessa sensação profunda de ouvir música com a derme.
Posted
7:32 PM
by Cíntia